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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Agridoce

Primeiramente eu gostaria de que todos que estão lendo isso entendessem que eu não estou me vangloriando nesse texto. Tudo o que eu falo aqui é baseado em opiniões alheias.

Mas, como eu falar aqui e o Celso Pitta falando mandarim debaixo d’água são igualmente compreensíveis, vou colar a opinião que  amigos meus me deram por MSN. Negritei as características principais para os preguiçosos de plantão.

Paula

Papoula diz:
*ok...
*bom, a primeira impressão que eu tenho é de contradições...
*ao mesmo tempo que a escrita parece refinada e madura, os temas são um tanto mais juvenis as vezes...
*Eu acho que parece um pouco com o verríssimo, mas o texto do verissímo, passa um pouco mais de experiencia que o seu...
*bom, mas a semlhança com ao verissimo é que apesar de ser um texto quase erudito, não é rebuscado, como vc diz, é refrescante...
*consegue ser claro e bonito sem ser enfadonho…
*mais contradições... ao mesmo tempo que os temas são extremamente pessoais, vc costuma fazer observaçoes externas... são poucos os texto que mostram algum sentimento seu. Então é quase como se vc fosse, assim, uma voz alheia...
*por vc se externalizar da situação sua visão é critíca, mas não é direta...
*daí o gosto ácido indistinguivel em meio a beleza e fluídez do texto...
*hmm... outra coisa...
*parece que vc está escrevendo pra alguém em particular, sempre...
*a idéia da pessoalidade, vc faz o tema parecer pessoal...
*e o tom crítico me faz sentir, "não, ele não disse isso, não foi pra mim, mas foi pra laguém que le conhece"
*é como se a gente (o leitor, eu) tivesse que direcionar a crítica, entendeu?
*é a picada que vc sente, mas só vai coçar mesmo depois
*parece que tem um objetivo... um leitor, ou um alvo...
*eu acho o máximo... deixa aquela ideia no ar, "será que isso foi pra mim?"

Juju

Juju diz:
*regra 1 de convivencia com a juju nas férias = nada de palavras mto utilizadas em vestibulares, por favor (incluindo dissertar) auhsauhsauhsuahsuahsuahsuahsu
*eu gosto do seu jeito de escrever pq ele é bem flexível
*o seu estilo é bem cheio de personalidade... é algo que dá super pra ouvir sua voz falando o texto
*é um texto bom pq não é um texto burro
*texto burro, pra mim, são aqueles textos super bonitinhos que no final afirmam algo obviamente óbvio
*sei lá, vc discorre (droga, o vestibular voltou) sobre temas diferentes, mas sem se perder na sua opinião, vc é bem firme... quando eu leio seus textos vc sempre me leva a pensar
*mas não é só pensar, é raciocinar
*a partir de um ponto vc cria um leque de opções
*mas não de uma maneira confusa, e sim de uma maneira bem clara

Giovanni

Giovanni diz:
*vejo q vc incorpora mto da vida contemporânea
*isso é mto legal
*noto q falta mto disso para despertar nos jovens o gosto pela leitura
*é raro abrir um livro q fala de MP3, por exemplo
*gosto mto disso
*vc tem um jeito mto leve de escrever
*o q torna a leitura bem prazerosa

Tunico

o==]|==Turucutuco==> 'Cause you know, sometimes words have two meanings.... diz:
*eu curto suas expressões, as figuras de linguagem
*vc n floreia tanto, mas a compreenção é perfeita
*uma coisa causa a outra, na verdade
*e isso favorece o desenvolvimento
*vc emprega os detalhes q tem q ser empregados qndo são necessarios
*vc n descreve o apartamento, por exemplo, pq n eh interessante pra quem lê
*tp qndo vc resolve se juntar a dor, é mto perceptivel qndo vc deixa de lutar
*da pra imaginar oq vc pensou na hora, saca?
*claro, vc escreveu isso lá, mas é interessante passar a cena como um filme
*acho q eh isso

Ninguém criticou, mas tudo bem. Elogio é gostoso, mas pensando bastante com uma amiga eu cheguei a uma conclusão extremamente banal sobre a forma com a qual eu escrevo.

Explico. Preste atenção em algumas das características que negritei. Claro, refrescante, ácido, refinado. Tudo isso funciona muito bem para um texto, mas uma pessoa poderia estar descrevendo a personalidade de alguém. Você é uma pessoa clara, refrescante, ácida, refinada.

Mas principalmente, essas são as características principais do quê?

De uma limonada!

Minha escrita é como uma limonada. E não é uma limonada qualquer, é uma limonada suíça! E eu ADORO limonada suíça! Acho que se só existisse suco de limão no universo eu seria igualmente feliz. Manga é muito forte, maçã é muito fraco, laranja tem pedacinhos que incomodam. Acerola é muito amargo, morango é muito doce. Somente a limonada consegue o equilíbrio perfeito entre força, fraqueza, entre doçura e acidez.

Claro que eu estou brincando aqui. Tanto em escritas quanto em sucos, é bom estarmos regados de variedade de sabores.

Eu só tenho que agradecer, porém, a todos os meus amigos e pessoas que me apóiam. Depois de toda essa análise “sucológica” – e também depois de muito tempo de escrita – eu finalmente tenho a sensação de orgulho com o modo com o qual eu escrevo.

Espero poder contribuir para a felicidade de todos como uma limonada suíça contribui para a minha. Sendo doce e ácido, forte e fraco, claro e nebuloso em quantidades homeopáticas e equilibradas.

Obrigado, meus amigos, e um brinde a todos!

http://littleindiachicago.com/catalog/images/lemonade.jpg

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Adulteza

De tudo mais, sinto falta da humildade despretensiosa da infância. Quando o mundo não passa dos nossos brinquedos e brincadeiras com os amiguinhos e não há necessidade de sabermos mais do que nos cabe.

À medida que essa ‘coisa grande cheia de janelas’ vira um prédio, aquela ‘vontade de não ir para aquele lugar’ se transforma em medo e ‘aquela dor estranha no meu peito’ vira paixão – quando as coisas do mundo começam a ganhar nome e função – dizem que nossa mente se abre.

Sempre fui da opinião “quanto mais aberta nossa mente, melhor”, mas e o "só sei que nada sei"? Será mesmo que abrir a cabeça funciona? Entender e conhecer o mundo? Acaso isso não nos tornaria pessoas cada vez mais arrogantes e cheias de si? Senhores da verdade?

Como já dizia a música da banda Evanescence, “Quero voltar para acreditar em tudo e não saber nada”. A adolescência se provou ineficaz na minha vida (e certamente na de grande parte das pessoas). Nossos complexos de sabedoria nos faziam imbecis. Hoje já não dá mais pra consertar, mas pelo menos acabou.

Quanto a ser adulto… sinceramente, estou desapontado. Conviver com adultos só parece uma repetição mais hipócrita da minha adolescência. Jovens que fingem ser maduros e que, no final das contas, tudo que querem é conversar sobre seus amores e seus lazeres. Muitos dos meus colegas mais responsáveis querem é jogar jogos no videogame e sair na sexta à noite, comer uma pizza assistindo a uma animação na casa de um amigo. Jogar um RPG! A máscara do trabalho e da responsabilidade fala mais alto muitas vezes. A grande máquina da opinião alheia é por demais destrutiva. Têm por obrigação serem maduros e, por tentar simulá-lo, tornam-se mais infantis.

Adolescentes acham que sabem de tudo. Adultos têm certeza disso. Essa soberba, esse preconceito nos torna mais fracos e dependentes. No fundo, gostaríamos todos de voltar a infância, mas não é para não ter responsabilidades, não; é para não precisarmos ficar nos enganando dia após dia sobre o que nós queremos, sobre o que nós não queremos. Queremos poder ser criança para podermos finalmente ser francos com o mundo.

A terceira idade, a idade adulta e a adolescência são mímicas toscas do que os nossos sonhos de infância não conseguiram realizar quando nós mesmos caímos na tola tentativa de perseguir a felicidade absoluta.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Revanchismo

No último encontro falei sobre a dor. Muitas coisas me vêm a mente agora: carma, teimosia, “lei de Murphy”, “lei da atração”, birra (de Deus, principalmente), psicologia reversa.

Não faz muito tempo que assenti. Sim, a dor existia, estava lá e, enquanto não me matasse, eu continuaria. A minha era a paixão solitária.

Mas foi-se.

Ora, a própria Dor a quem eu estava agradecendo no último post simplesmente decidiu ir embora. A paixão que não era correspondida simplesmente correspondeu. E minha cara, como fica na história? E a poesia do último texto? Ideologia? Há!

Essa Dona Dor conseguiu dar uma rasteira no meu ego! Fez parecer toda a minha ideologia heróica e conformista uma tremenda hipocrisia poética! E o pior? Não tenho nem o direito de ficar bravo. Alguma coisa chamada felicidade me impede de brigar com a dor.

Céus, o que estou dizendo? Quer dizer então que estou achando ruim por não estar sentindo dor? Soa irônico e hilário. Tragicômico, mas é isso mesmo. Acho que no final das contas a dor era um grande bloco do que me construía. Algo que eu vinha sentindo há muito tempo, um drama sobre o qual eu montava toda a minha personalidade.

Sinto falta da dor por sentir ter perdido algo de mim, mas na realidade também me sinto despido numa multidão. Infantil, meio sem rumo. Sem dor, o que resta de mim?

Sei que pouco sei, mas consigo ver uma oportunidade de amadurecer com tudo isso. A felicidade está presente. A dor pode voltar, mas voltará diferente. Amo a forma que me sinto agora, mas, se porventura me voltar a doer, estou convencido de que serei uma pessoa diferente.

O amor propriamente dito, estive pensando, é o melhor professor sobre si mesmo.

domingo, 10 de maio de 2009

Nada além importa

A melhor tradução para “Nothing else matters”, do Metallica, ao meu ver, não é “Nada mais importa”. A expressão “nada mais” dá a impressão de que nada absolutamente importa, e não é ela que eu quero passar. “Nada além” significa que algo definido importa, mas além desse algo definido, nada faz diferença. É isso que eu sinto.

Na falta de um texto melhor elaborado, eu estive pensando ultimamente, vou postar a letra dessa música. Ela tem sido muito significativa na minha vida nas ultimas duas semanas.

Nothing else matters

Metallica

Nada além importa

Metallica

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Tão perto, nao importa o quão longe
Não poderia vir mais do coração
Para sempre confiando em quem nós somos
E nada além importa

Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters

Nunca me abri dessa forma
A vida é nossa, nós vivemos do nosso jeito
Todas essas palavras eu não apenas digo
E nada além importa

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Confiança eu busco e encontro em vc
Todo dia para nós algo novo
Abra a mente para uma visão diferente
E nada além importa

Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

Nunca liguei para o que eles fazem
Nunca liguei para o que eles sabem
Mas eu sei

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Tão perto, nao importa o quão longe
Não poderia vir mais do coração
Para sempre confiando em quem nós somos
E nada além importa

Never cared for what they do
Never cared for what they know
But I know

Nunca liguei para o que eles fazem
Nunca liguei para o que eles sabem
Mas eu sei

I Never opened myself this way
Life is ours, we live it our way
All these words I don't just say
And nothing else matters

Eu nunca me abri dessa forma
A vida é nossa, nós vivemos do nosso jeito
Todas essas palavras eu não apenas digo
E nada além importa

Trust I seek and I find in you
Every day for us something new
Open mind for a different view
And nothing else matters

Confiança eu busco e encontro em vc
Todo dia para nós algo novo
Abra a mente para uma visão diferente
E nada além importa

Never cared for what they say
Never cared for games they play
Never cared for what they do
Never cared for what they know
And I know, yeah!

Nunca liguei para o que eles dizem
Nunca liguei para os jogos que eles jogam
Nunca liguei para o que eles fazem
E eu sei, yeah!

(solo)

(solo)

So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters

Tão perto, nao importa o quão longe
Não poderia vir mais do coração
Para sempre confiando em quem nós somos
E nada além importa

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Apaixonado

Totalmente ao acaso. Conhecemos-nos ontem a noite. Eu estava sem nada para fazer, sem sono, pra variar, num final de um domingo entediante. Eis que ela surge à minha frente, despretensiosa, quase inocente.

Não digo que foi amor à primeira vista, não. Eu já a conhecia, já a havia visto. Dizia, na verdade, que a odiava. Era pura inveja dos que já a conheciam e já sabiam lidar com ela…

O que? Mulher? Não, não… vc entendeu errado. Eu estou falando da minha mais nova paixão: a Ilustração Vetorial!

Ontem estava boiando inutilmente quando resolvi abrir o Illustrator. Não me lembro bem pra quê. Abri, peguei alguns tutoriais e fui feliz. É verdade, uma aula seria interessante, mas devido às presentes circunstâncias da minha agenda (e da minha conta bancária), não posso pegar mais aulas. Restam-me os tutoriais de internet – e eles foram bem construtivos.

Digitalizar 003_vector

Ainda não sou um gênio do design vegorial, mas já consigo fazer algumas coisinhas bem legais. Illustrator e Photoshop fazem mágica! Agora ninguém me segura! (Só edição de vídeo… mas daí tem o Premiere e o After Effects, mas eles têm nome masculino então me apaixonar por eles seria deveras… bizarro).

Pra quem não sabe...

Cell says:
*ai ai..o que é isso?

♕ Leon says:
*um tipo de ilustração baseada em calculos matematicos
*mas nao tem matematica na hora de ilustraar
*na verdade é util pq o computador calcula como vai ficar a sua imagem de segundo em segundo.. o q quer dizer q vc pode aproximar infinitamente q ela nunca vai perder qualidade


quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Novo

Template

Um dia vi numa peça que as mulheres quando terminam com o namorado ou divorciam do marido dizem “vou mudar”. Fazem luzes no cabelo ou cortam curtinho.

Bom, o raciocínio, por mais fútil, pode ser aplicado aos homens também. Homens são tão – ou mais – fúteis quanto as mulheres. A diferença é que são mais sutis: as mulheres não precisam ter medo de serem chamadas de frescas. Elas respondem “sou feminina”. O homem que diz “sou macho” geralmente o diz mais pra si mesmo do que para os outros.

Mudei mesmo. Fiz luzes no template do meu blog e, como a maioria dos meus amigos, dos meus fiéis leitores, sabem, as cores dizem muito. Embora eu já tenha sido estigmatizado como “o cara que usa roupas de cores-terra”, será que alguém já parou pra pensar o motivo pelo qual eu me visto assim? Pois bem. Há um. Com o template não é diferente.

Logotipo

Não é porque eu sou designer. (Ok, éu adoro fazer logos). Eu sempre achei que esse blog precisava de uma logo. Quando eu tinha o “Chá com Açúcar”, o logo do blog era uma chicarazinha de chá com fumacinha em estilo Bauhaus. Pra combinar com o conceito do Simbolismo Alternativo, temos aqui uma nuvem para representar os sonhos (uma vez que o simbolismo foi um movimento escapista). Simples assim.

Todo o resto

Ora, é fase de transição! Todas as minhas convicções estão sendo abaladas e subvergidas. É tudo um grande jogo de argumentação de mim contra mim mesmo. Dos fatos contra mim mesmo, em que eu consigo ser o herói e o chefão. A vantagem? Não tem game-over. Estou curioso pra ver onde é que O Novo vai me levar.

terça-feira, 10 de março de 2009

O Mundo é Mágico

Perguntaram-me por que eu, após Furnas, como um grande cientificista, convertera-me à acefalia de acreditar em Deus ou Jesus. Categorizou-os como Mito, como Mágica.

Desconversei, mas discordo sumariamente. Continuo tão cientificista como antes. A Ciência completa a religiosidade. A Mágica não deixou de existir com a Ciência. Em verdade, a Ciência valida a Mágica.

É verdade que a Ciência explica as coisas, mas a partir do momento que ela explica uma pergunta, mil outras perguntas brotam imediatamente. Não há como dizer que isto não é Mágica, ou que não há Mágica nisto.

Ora, a Mágica torna-se verdadeira pela pura definição da Ciência. A Ciência nasce para explicar as coisas, tornando-se tão eterna e onipotente quanto uma religião ou um deus. Isso traz à tona o fato de que nunca haverá explicação para tudo o que existe.

Pois bem, se o inexplicável é Mágico, a Ciência por si só eternaliza a existência da Magia.

E em meio a toda essa inexplicabilidade, quem poderá ser tão prepotente a ponto de negar a existência de algo tão poderoso. Falho em perceber onde é que algo que não existe pode ter tanta influência no mundo e nas pessoas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Batismo Digital

Estava eu a conversar com um amigo no MSN sobre Orkut...

• Leon says:
me passa seu orkut plz
kisuke says:
n tenhu n.....
kisuke says:
^^
• Leon says:
o.o oloko
kisuke says:
kkk
• Leon says:
existe individuo sem orkut no brasil hoje em dia?
sua raça ta em extinção viu.... hoje em dia quando vc NASCE é criado um orkut pra vc

Eu falo isso porque vi isso acontecer duas vezes com minhas primas. Minha prima ficou grávida. Assim que nasceu o bebê ela criou um orkut com o nome dela e colocava fotos. E as pessoas mandavam recados (e eram respondidas o.O).

Hoje em dia no Brasil, é verdade, é raro achar alguém que não tenha Orkut. O tópico já foi comentado à exaustão. Todos estão cansados de saber que é uma coleção de coisas juntas. O surto de desenvolvimento que nosso país está sofrendo (desde a propagação da banda-larga em 2003), a personalidade cultural do brasileiro (extrovertido, sociável), aliados ao fato do brasileiro ser o campeão de tempo de conexão (segundo o ibope, 23,33 horas por mês só na net).

Orkut tornou-se uma alternativa ao "oi, tudo bem? de quê você gosta? me passe seu telefone". Minha mãe quando ouve falar disso arranca os cabelos. Não concorda. Minha avó já diz que o mundo está perdido. Eu me sinto quase mal por discordar, mas eu não acho que isso seja nenhum presságio apocalíptico. Quando Graham Bell lançou o inovador telefone, a galera deve ter pensado "blasfêmia!", "pecado!", "enviado do demônio". Sem hipérboles, devem ter pensado que as pessoas iam se desumanizar porque com o telefone não se tinha contato direto com a pessoa. Televisão, mesma coisa. Hoje a pessoa leva o telefone dentro do bolso para onde quiser e, pior, pode assistir televisão nele. Nem por isso o contato social deixou de existir. Acho o tal 'efeito wall-e', se não impossível, muito distante. Já dizia o fodão, "o homem é um ser social".

Potencialmente, para consolidar mais ainda o meu épico eu-crítico (a.k.a. 'do contra'), eu acho que as novas facilidades e inutilidades criativas que a internet poporciona são úteis até para o inverso do que se diz. Sinto que meus amigos que têm Facebook, Skype, Flickr, Orkut, MSN e jogam online estão presentes em minha vida em muitos mais 'programas' do que os que só mandam e-mail. A internet tornou possível o impossível: passar muito mais tempo com os amigos do que o de costume. Isso diminui o tempo que você leva para se decepcionar com ela, o que antecipa a formação da sua maturidade. (não, isso não se aplica a todo mundo, mas o que se aplica? Mulheres gostam de homens e homens gostam de mulher? Pense de novo.).

O homem é conhecido pela sua adaptabilidade. Se formos sempre tradicionalistas e contrários à evolução, então ela não existe. Hoje portanto, ponderei sobre criar um Flickr. Amanhã estarei criando um Orkut para meu filho recém nascido. E quem quiser reclamar já está um passo atrás.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Fodão, eu não... ^^

Não lhes oferecerei minhas palavras hoje! Por mais que eu escreva, eu não conseguiria chegar a um nível de ironia e perfeição tão grande quanto o do saudoso Álvaro de Campos. Nunca. Por essa razão, as suas remotas palavras fazem, hoje, mais sentido para mim, que minhas próprias convicções.



Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,


Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos (Fernando Pessoa(s)).

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

E não me chamem de revolucionário pensando nesse termo como pejorativo. Prefiro ser chamado de lunático e ter lunáticos que me compreendam a ser chamado de revolucionário e ser tido como um conjurador sem base. Como disse minha professora de história, desqualificar os movimentos é o princípio ativo para fazê-los perder força. Pois bem, que sejam jogadas as pedras!

Não existe maturidade sem liberdade. Julga-se que adolescentes são possuidores de idéias lunáticas para mudar o mundo. Bem, eles não são capazes disso por causa do protecionismo intenso que existe pelos adultos.

Antigamente, os meninos com quatorze anos começavam a trabalhar com o pai na fazenda, na oficina. Aos vinte já estavam casados e aos vinte e três já sustentavam família.

Hoje se reclama de meninos de faculdade (leia-se vinte, vinte e um anos) que espancam uma mulher após beberem e se drogarem sem limites.

O discurso de um menino de rua que joga pauzinhos para cima no sinal para conseguir trocados que sustentem seus dezessete irmãos é totalmente diferente de um da mesma idade que troca de tênis ou celular mensalmente porque “cai de moda”.

Ambos sabem que o crime mata. Este por vê-lo na TV, aquele por vê-lo em sua frente. Pergunte qual é mais maduro.

Deve-se saber exercer a liberdade. Sim, concordo, mas não se nasce sabendo ler, e nem gostando disso. Não se nasce uma estrela no futebol. Robinho treinou. Ronaldinho já falhou muitas vezes antes de se tornar o que é. A liberdade deve ser aprendida, adquirida, estimulada e treinada.

A feira de cultura do dia 25 foi uma amostra de como a liberdade de escolha da forma de desenvolvimento de um trabalho, e como colocá-lo em prática ajuda uma pessoa a assimilar o conhecimento.

A feira foi uma prova do quão maduros podemos nos mostrar, se nos for dado um pinguinho de liberdade.

domingo, 5 de agosto de 2007

Sobre a mudança

A mudança é algo que deve ser constante nas nossas vidas. Pelo menos na minha ela é. Acho-a fundamental para a evolução. A explicação do novo título do blog é simples. Sempre que pulava de galho em galho entre os movimentos literários que eu mais me identificava, o fim da linha sempre era o simbolismo. Sempre, porém, faltou algo. Por causa disso, parei de tentar me enquadrar na literatura (uma vez que não tenho condições de criar um movimento literário só meu). Agora que tenho um blog, não interessa criar ou não um movimento literário. Prefiro continuar me enquadrando no Simbolismo, mas deformá-lo suficientemente para adicionar as idéias que tenho que não encaixam. Ou seja, posso ser um simbolista, mas sou um simbolista alternativo.

Hoje vi Friends. Enquanto Chandler era proibido de gozar as caras do pessoal e Rachel de fofocar, Ross se gabava por estar começando o ano de 1999 com o objetivo pessoal de experimentar, todos os dias, algo novo. Amei de imediato esse estilo de vida. Achei-o ousado, mas interessante. Tudo isso me lembrou minha nova meta de um tempo atrás em diante: experimentar de tudo - ou quase tudo - que eu não gosto.



Semana passada comi cebola e me surpreendi com o quão fácil foi. A sensação de mastigar baratas não foi embora, mas eu não me importei com ela o mesmo tanto que me importaria antes. Pareceu que, por causa da mente aberta para as coisas "ruins", elas se tornaram menos "ruins". Começo a perceber o poder do "sim".

Não tenho a mínima noção de onde isso vai dar, mas pretendo continuar. Talvez até meu aniversário eu já tenha partido para coisas maiores, como lavar um banheiro ou possivelmente participar das aulas de educação física.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O erro no desejo do acerto

"De pessoas com boas intenções, o inferno tá cheio", me disseram uma vez, e não entendi de imediato. Só depois consegui enxergar que há pessoas que querem apenas o nosso bem, e, sem querer/saber fazem a nós o mal (desconsiderando a total relatividade desses conceitos).

Dizem muito sobre a sociedade. Reclamam de desigualdade social com a boca cheia, como se obtivessem cada partícula de razão para fazer uma reflexão filosófica, e acabam atribuíndo a ela a culpa do fracasso da experiência humana na terra. "A sociedade atual...", "...da sociedade moderna".

Temos preconceito. Temos racismo. Temos homossexualismo. Temos sexismo. Que são fatores agravantes para a decadência da relação social, isso é evidente. Não é conclusão exímia dizer que as pessoas deviam pensar nos outros como nelas mesmas. Não é maduro, porém, jogar a batata quente para a sociedade. Fazemos parte desse todo, assumamos a nossa responsabilidade. E não venha dizer que faz a sua parte. Ficar quieto no seu canto não é fazer a sua parte. É muito fácil ignorar o mendigo que carece na rua. Não se ache o exemplo de humanista por achar hediondo que jovens de classe média-alta espanquem uma mulher por pensá-la prostituta, e expor a Deus e o mundo que você nunca faria isso. O mundo não quer saber o que você não faria. Deus muito menos. "... porque a sociedade não tem cara quando lhe cabe a responsabilidade dos problemas (...) E você? Já pensou no quão culpado é na transformação do mundo no que ele é hoje?". A frase de Thiago Cobra faz revermos conceitos de maturidade social - extremamente paradoxais, assumo - que estão cravados dentro de nós mesmos. Valores que somos imbuídos ao longo da nossa jornada no planeta, e que podem não estar mais coerentes com os dias de hoje.

A essa subversão da idéia da sociedade e ao aprofundamento da maturidade social que culpamos a inconsciência. Os problemas sociais de preconceito supracitados estão longe de estarem errados. O preconceito não nasceu como uma coisa ruim. O preconceito tornou-se uma coisa ruim ao longo do tempo, à medida que foi desbotando na ordem social.

Explico. Aquela sociedade que conheciamos, e que julgamos até hoje como nossa, foi construída com base no medo. Pensar diferente, dentro do absolutismo dos nossos antepassados, era motivo de morte. Ser diferente, pior ainda! Os papais da época do absolutismo criavam seus filhos para não se revolucionarem, para que não morressem. Que pai cria o filho para morrer? Os papais da inquisição criavam seus filhos para amar Deus sobre todas as coisas (ou amar a Igreja sobre todas as coisas), para que não lhes houvessem que chorar às cinzas. Os papais da ditadura militar criavam seus filhos para que não falassem do governo, não conspirassem.

Os papais eram tão amorosos que acabaram por criar um senso comum do que é bom e o que é certo. Afinal, não se mexe em time que está ganhando. Por puro amor. Por pura inocência. Por puro medo.

Hoje em dia, ainda se cria os filhos com base no medo. Mas o medo de hoje é reflexo do medo dos nossos antepassados. Criamos nossos filhos temendo que eles sejam rejeitados na escola, no trabalho, no mundo. Criamos nossos filhos para que sobrevivam, não para que sejam felizes.

Não culpo os pais de antigamente por obrigarem seus filhos a implorar de joelhos a misericórdia divina. Tudo que fizeram foi por amor. Foi por amor que
Dédalo deu as asas que tomariam seu filho, Ícaro.

O preconceito é o filho mau do medo. O filho bom é a organização social. Se queremos mesmo reclamar da sociedade de cara limpa, sem que precisemos sentar nos próprios rabos, não podemos rechaçar o preconceito, e nem elevar a organização social. Devemos lutar contra o medo, que é uma grande luta interna. Quando não mais formos dominados por esse medo, então estaremos livres do nosso papel antagônico na sociedade.


Duas coisas me iluminaram para este texto. A prova de Redação que fiz hoje, e o texto do meu grande amigo, Thiago Cobra, que fala sobre o paradoxo humano. Uma filosofia de vida antifóbica que tenho adotado há alguns anos também foi imprescindível para minhas conclusões acima. Ainda (e sempre) as considero incompletas e ajustáveis. Portanto, por favor deixe a sua opinião! Tenho aprendido a ver o outro lado das coisas ruins. O lado bom do preconceito, o lado ruim da família. Isso não quebra minhas convicções. Não deixo de achar que o preconceito é errado, e nem que a família é algo bom, mas sou muito mais completo e sinto-me muito mais embasado quando critico. Não acho que podemos fazer nada sem pensar no outro lado. Não acho que podemos dizer que algo é ruim ou bom se não analisarmos por inteiro. Apenas o medo impede essa filosofia. Por isso digo que sou antifóbico ^^

Se vc leu tudo até aqui, parabéns pela sua enorme paciência! E muito muito muito obrigado!

sábado, 9 de junho de 2007

Devourer

Um momento pendente.

Um pequeno átimo de razão, um lapso de consciência em meio a todo esse recente turbilhão de magia.

Subitamente desaparecem-me todos os nomes, todas as máscaras. Tudo é gris.



Minhas derradeiras folhas de papel esvoaçam ao longe. Eu as pegaria se não estivesse sendo aspirado novamente. Arrancado de minhas raízes e posto a crescer num mundo diferente: um mundo indiferente.

Espero agora, por um átimo desgraçado. Um singular momento pendente.







O culpado, por incrível que pareça, é um jogo. Lineage 2 tem sido o vórtice de fantasia que tem me tirado da realidade ultimamente. Não que eu não goste. Pelo contrário. Só sinto que jogo mais que devo, e tenho perdido alguns momentos de divertimento saudável.



Bom, vejo todos (pff....) depois.
Adeus!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"There and back again"

Há anos faço blogs, flogs, sites. Nenhum durou mais que três meses. Duvido que esse aqui vingue, mas enfim. Gostaria de ser uma daquelas pessoas que mantém diários. Os meus são extremamente segmentados. Nunca consegui dar continuidade. Vamos ver se bato meu recorde dessa vez ^^


O problema maior de blogs é que é texto, né? Isso significa: poucos efetivamente lêem. Foda-se ^^


Era pra eu ter criado isso aqui antes. Quando fui criar, procurei por uma imagem no Google. Encontrei algo EXTREMAMENTE característico!
Essa imagem sou eu!
Eu definitivamente não faço a mínima idéia do que postar aqui, então, se vc quiser me dar uma luz.... ^^
Adeus por enquanto o/